Falei da raiva, falei da inveja e agora é a vez da tristeza. Acho que eu estou com mania de cuidar dos oprimidos e excluídos. Eles são persistentes, entram sem pedir licença e não estão nem ai para a nossa permissão. Ainda que a gente queira muito os excluir, eles nunca nos excluem, são muito democráticos e fazem questão de chegar em todos e qualquer um.

Numa dessas terças-feiras eu fui a escolhida. Nessa fase de descobertas que eu me coloquei não tive muita escolha a não ser entrar nessa também. Chorei e chorei. Cheguei a pensar que eu estava treinando para um drama até porque tinha um certo prazer envolvido que eu nunca tinha percebido. Até no dentista tocou uma musica de fossa e eu desaguei. Como explicar? Nem tentei. Escolhi ligar para as amigas e contar minhas tristezas. Que delicia. Chorei no taxi, no elevador, no shopping e na terapia. Uma hora eu achei que ia secar. Comecei a pensar, será que tem estoque de lagrimas suficiente? E eu estava afim de chorar, não queria que terminasse ali, tinha todo o fim do dia e todos os motivos que ainda eu não via. Nada era mentira.

E foi assim como uma faxina, uma limpeza que há pelo menos um ano eu não fazia. E quando eu vi senti alivio, senti que muitas verdades vieram a tona que antes estavam escondidas, me senti forte por me permitir fraca, me senti segura por ser minha amiga. Não tem nenhum glamour ou vitimização nisso. É sobre permitir que as emoções nos atravessem, sem resistência. Eu penso que se a gente não rotular as emoções como “boas” e “más”, se formos menos preconceituosos podemos até nos surpreender com o potencial daquilo que nos encontra e que antes definíamos como “tristeza”. Nada fácil !!!!! Ta mucho louco esse papo né? Você pensa alguma coisa sobre isso?

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