Quando eu era pequena eu odiava psicólogos, eu dizia que eles não gostavam da minha mãe e eu não queria mais voltar. Quando eu virei adolescente eu comecei a adorar porque eu gostava de conversar, mas eu não deixava eles virem com questões sobre a minha mãe. Tinha medo deles criticarem ela e eu não querer mais voltar. Eu queria proteger a melhor relação que a vida me deu.

Recentemente o meu terapeuta me perguntou: “o que tu não gostas sobre a tua mãe?” e inicialmente eu fiquei braba sabe, por que perguntar isso?  eu sabia o que responder. A minha mãe não é perfeita, ela é humana. Só que eu a amo incondicionalmente com toda a imperfeição dela e pra mim ela é perfeita assim. Então dessa vez eu experimentei dizer.  Eu consegui pela primeira vez falar e não temer. E foi bom porque nada mudou, porque absolutamente nada pode mudar o meu amor. Porque amar é isso, é amar com tudo e não com parte.

Mas sabe o que eu estava pensando também… De alguma forma a gente foca nos traumas, no que foi negativo e influenciou todas as nossas questões.  Pelo menos em terapia costuma ser assim. E a resposta para os nossos desafios mais fortes parece estar sempre na relação com os nossos pais, já que quando crianças somos muito sensíveis e eventualmente alguém nos machucou (mesmo que “sem querer”).

Mas eu nunca vi ninguém investigar o porque de tudo que é bom. Se todos os traumas vieram da relação com nossos pais, então todas nossas benções, talentos e qualidades também! Mas me parece que com o que é bom nós somos levianos e não refletimos a respeito, não valorizamos. Da mesma maneira que houveram escolhas que te impactaram negativamente, tiveram todas as outras que tu nem poderia imaginar.

Da mesma maneira que houve o dia em que tu foi “rejeitado” ou se sentiu assim, também tiveram os dias que tu foste amado. Mesmo que você não lembre de nada, a tua mãe te carregou 9 meses na barriga e isso é inquestionável.

Eu te convido a pensar sobre isso:

Se quem tu te tornaste teve como base as tuas raízes (suponha que sim mesmo que você pense diferente só para experimentar a reflexão), o que sobre isso tu honra e aprecia? O que tu agradece?

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