Sempre que eu exponho a minha opinião tenho um receio que eu vá mudar completamente de ideia. Eu falo com tom de certeza, penso com convicção e às vezes até me ensurdeço com minhas opiniões empolgadas.

Preciso de um tempo para sair das minhas posições e vagar no desconhecido novamente para então acessar novos caminhos e, principalmente, para escutar. Escuta, essa é uma palavrinha que eu preciso treinar mais. Tenho olhado pra isso com atenção. Mas eu não pretendo tentar ser menos do que eu sou, ainda que seja um aspecto potencialmente danoso.

Acho que é justamente na conscientização dos nossos exageros que conseguimos descobrir os nossos brilhos.

Pra mim está sendo sobre navegar na fronteira daquilo que é o nosso ponto alto mas que está quase no seu limite. Tenho aprendido que minhas certezas não são eternas, mas que o meu compromisso com o que é verdadeiro pra mim, naquele momento, é. Frequentemente tentamos fazer crescer aquilo que gostamos sobre nós mesmos e diminuir aquilo que chamamos dos nossos “defeitos”. Estou reavaliando essa ideia (inspirada e muito pelo Freddie). Temos tendências que desenham um pouco do que nós somos, um conjunto de características que nos traz uma moldura enquanto personalidade, que não é imutável, porém um tanto resistente.

Se por um lado eu sou entusiasmada por outro sou inquieta, se por um lado eu sou corajosa por outro eu sou insegura, se por um lado eu sou comunicativa por outro eu sou introspectiva,  se por um lado eu sou intensa por outro sou impaciente, se por um lado eu sou verdadeira por outro eu sou ríspida, se por um lado eu sou amorosa por outro eu sou egoísta….e por ai vai muito.

Estou trazendo aqui algumas das minhas polarizações, não são regras e podem não fazer sentido pra você. As suas polarizações são só suas, sempre inéditas ainda que tentemos explicar através das palavras que nunca contém tudo que queremos transmitir.

Então existe essa gangorra e às vezes o que queremos é estar num dos polos e ficar lá. Mas você já imaginou uma gangorra que só tende pra um lado? Perde toda a graça. Acabou a brincadeira. O lugar mais desafiador é permanecer no instante em que os dois polos estão se contrabalanceando, e não quando um anula o outro, é quando eles se chocam no olhar,  quando um pode reconhecer o outro e então se firmar e se estabilizar temporariamente até a volta do desequilíbrio entre os polos (que também tem seu lado divertido).

Desde que eu escuto o Freddie Mercury de verdade eu tenho percebido com mais clareza esse aspecto. Muitas letras (e ele também) são pesadas, fortes, intensas e com temas perturbadores. Elas são lindas mesmo que não sejam bonitas.  Isso me faz recordar que existe algo de perfeito nas nossas misturas contraditórias, algo poderoso na expressão da nossa inteireza.

Qual a sua mistura contraditória que expressa a sua verdadeira inteireza de ser?

Se quiser pode me contar! Vou adorar saber 😉

Beijos, Lau!

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