Tem duas pedras aqui em casa que o Gui trouxe do Monte Roraima e do Everest.  Eu sou muito cagona, acho que vão me pegar e eu vou ser presa ou deportada. O destemido Gui sempre tem essas ideias, que eu admiro disfarçada e a distância para não correr o risco de ser pega.

Hoje eu olhei pra elas e pensei que deve estar muito monótono viver aqui em casa. Aqui não tem altitude, nem tempestade, nem vento, nem gelo, nem sol escaldante… não tem ninguém pisando nelas, nem levando pra cima e pra baixo, nem tropeços, nem chutes, nem nada. Tudo calmo e na temperatura ambiente. Tem que ter muita paciência pra ser uma pedra, vive muito e nem se mexe. Mas vê muita coisa né, quantas centenas de anos só observando a galera. Imagina se pedras tem signo, coitada de uma pedra Ariana. Pensando bem, nesse sentido minha casa está mais interessante que a montanha. Aqui elas escutam histórias que nunca poderiam imaginar lá de cima e acompanham uma infinidade de emoções que deve até dar uma invejinha.

Esses dias mesmo tinham 8 humanas vestidas de bruxa, falando sobre poderes e compartilhando suas trajetórias, desafios e conquistas.  Se eu fosse pedra naquele momento queria poder experimentar o abraço. Que coisa boa não dizer nada e sentir tudo.  Já no penúltimo domingo a televisão ficou ligada no filme eleições do Brasil, será que deu vontade de seguir pedra e só observar? Duvido!!! Aposto que o desejo maior foi de entrar no debate, opinar, discutir e ver quem falaria melhor. Quer saber, contemplar minhas pedras me trouxe uma imensa alegria, no fim do dia eu amo é muito essa confusão de ser gente. 

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