Sinto que a gente se acostumou com esse lance de “troca” e de “resultado” em um nível agressivo demais. Talvez seja eu que tenha medo de me robotizar em prol do que virá e escrevo para não me conformar. O que você faz por fazer? Simplesmente por que na ação em si está o maior prazer? Escrever? Em parte sim, mas metade está na possibilidade de ver alguém se envolver. Ler, às vezes. Não quando eu estou me cobrando terminar o livro e ter a sensação de dever cumprido, mas sim quando eu estou lendo e me inserindo nas palavras escritas, que por instantes parecem conversar só comigo. Manteiga e mel na torradinha é só porque sim. Eu não repito pra ficar à vontade do meu próximo café da manhã.  Alguns “sims” são irrecusáveis pra mim, entre eles: oreo, batata frita e o horizonte.  

O que faz sentido, em si mesmo, pra ti? A vida deveria ser assim, mais pelo que é e menos pelo que deveria ser.  Se alguém tem motivos pra gostar de mim ótimo, mas se gosta de mim por esses motivos eu desconfio. A gente pode até encontrar os motivos depois mas, eu penso que um gostar digno, é um pouco superior. Tenho medo da utilidade apesar de me considerar uma pessoa muito prática, acho que eu sou duas ou mais, entre elas uma é da praticidade e a outra do filosofar.  E o amor, e se nele tiver que haver utilidade? Prefiro não o encontrar nesse humor.  Para que serve essa poesia? Para que serve este quadro? E essa música? Para que serve você?  Produtos precisam servir, a arte não.

Você é arte e o que você faz, quem sabe, utilidade.

Precisamos também nos usar, nos servir, nos trocar. Precisamos construir, compartilhar, vender e comprar. Somos tudo isso, junto e misturado encontrando cada qual o seu lugar. Me pergunto com frequência para não me conformar: o eu faria só porque sim?

O que você faria só porque sim? Me conta aqui! 

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