“Você precisa aprender a se vender”

Você precisa aprender a se vender, eu escutei. Uma parte minha dá um suspiro cansada só de pensar. Eu tenho medo de me confundir com um produto que precisa funcionar, medo de me exigir utilidade e me ver num labirinto sem saber mesmo “onde eu queria chegar?”.

Aprender, e saber onde quer chegar

Que saco essa falta de praticidade. “Aprende a vender e ponto final, Laura”, diz a ditadora que me habita. Ela é elegante, bonita, proativa e rápida.  Eu gosto dela, só não todos os dias.

O que o meu livro pode agregar de valor? Para quem ele pode servir? As minhas palavras fazem diferença para o quê?  Para quem?
Estou escrevendo aqui para tentar descobrir.

“Sobre o que tu escreve Laura?”.

Eu escrevo o que se passa na minha cabeça, eu ponho em palavras as minhas indagações, as minhas alternativas de possíveis respostas ou novas perguntas, eu falo sobre os encontros, sobre os incômodos que eu sinto, as vontades que eu tenho, as dores que permeiam, eu falo de mim, falo de mim atravessando a vida ou da vida que se atravessa em mim.

“E qual seria o público-alvo”?


(5 minutos depois)
Público-alvo? Gente.

“Está um pouco abrangente”.

Gente como a gente, sabe… gente como as Lauras que me habitam. A gente é inquieto. A gente quer mais, a gente se pergunta como viver com mais intensidade, a gente se pergunta se a vida pode ser mais significativa, a gente quer descobrir mundos, a gente quer encontrar pessoas e aprender alguma coisa, a gente topa se apegar, a gente até topa sofrer.  O que a gente não quer é deixar de viver. A gente quer ter história pra contar, a gente quer expressar as nossas vontades e viajar… viajar por lugares, livros, poemas, músicas…. entrar numa camada da realidade onde a vida é mais viva, sabe?

A gente quer limpar as mentiras que nos contaram, a gente quer limpar as mentiras que nos contamos,  a gente quer ver com olhos lúcidos quem realmente somos, a gente quer desamarrar os nós que tiram a nossa liberdade, a gente quer ser feliz, a gente quer ser livre. 

“Qual a necessidade que tu atendes?”

É sério?
(8 minutos)
Pensando muito bem a única necessidade que eu realmente posso afirmar é a minha de escrever.

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